OS PRINCIPES DA IRLANDA - Edward Rutherfurd.pdf
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EDITORA RECORD
Título original inglês
DUBLIN FOUNDATION
Para Susan, Edward e Elizabeth
Prefácio
Este livro é, antes de mais nada, um romance. Todos os personagens, cujas famílias
e seu destino o romance acompanha por gerações, são fictícios. Ao contar suas
histórias, porém, coloquei-os entre pessoas e acontecimentos que realmente
existiram ou talvez tenham existido. O contexto histórico, sempre que é conhecido,
é apresentado corretamente, e, onde surgem questões de interpretação, procurei ou
refletir a respeito ou fornecer uma visão equilibrada das opiniões dos melhores
estudiosos da atualidade. De vez em quando foi necessário fazer pequenos ajustes
nos complexos acontecimentos para ajudar a narrativa; mas esses ajustes são
poucos e nenhum agride a história.
Em décadas recentes, a Irlanda em geral e Dublin em particular têm sido muito
felizes na qualidade da atenção histórica que têm recebido. Durante a ampla
pesquisa necessária para a redação deste livro, tive o privilégio de trabalhar com os
intelectuais mais ilustres da Irlanda, que generosamente compartilharam comigo seu
conhecimento e corrigiram meus textos. Sua amável contribuição é mencionada
nos Agradecimentos. Graças aos estudos do último quarto de século, tem havido
uma reavaliação de certos aspectos da história da Irlanda; e, como resultado, a
narrativa que se segue pode conter um grande número de surpresas para muitos
leitores. Forneci algumas anotações adicionais no Posfácio ao final deste volume
para os curiosos em saber mais.
Nomes de pessoas, de lugares e termos técnicos em irlandês aparecem sempre em
suas formas mais simples e familiares. Livros modernos publicados na Irlanda usam
um acento, o fada, para indicar quando a vogal é longa e algumas formas diferentes
de soletrar para indicar a pronúncia correta. Para muitos leitores fora da Irlanda,
entretanto, essas formas talvez pareçam confusas, e por isso não são usadas no
texto deste romance. No Posfácio, porém, forneço um guia de pronúncia, e leitores
em dúvida quanto à pronúncia de qualquer palavra poderão encontrá-la ali.
PRÓLOGO
Sol Esmeralda
Foi há muito tempo. Muito antes de São Patrício chegar. Antes da vinda
das tribos celtas. Antes que se falasse o gaélico. No tempo dos deuses irlandeses
que nem sequer deixaram seus nomes.
Muito pouco se pode dizer com precisão; no entanto, fatos podem ser
constatados. Ainda existem evidências de sua presença. E, como se costuma fazer
desde que as histórias são contadas, a gente pode imaginar.
Naqueles tempos de outrora, numa manhã de inverno, ocorreu um
pequeno evento. Isso nós sabemos. Deve ter ocorrido muitas vezes: ano após ano,
podemos supor; século após século.
Alvorada. O céu da metade do inverno já era de um pálido e claro azul-
celeste. O sol não demoraria para se erguer do mar. Visto da costa oriental da ilha,
já havia um tênue brilho dourado ao longo do horizonte.
Era o solstício de inverno, o dia mais curto do ano. Se naquele tempo o ano
era indicado por uma data, o sistema utilizado não é conhecido hoje.
A ilha na verdade era uma de um par que se assentava na margem atlântica
do continente europeu. Há milhares de anos, quando ambas se encontravam presas
na grande estase da última era glacial, eram unidas uma à outra por um passadiço de
pedra que seguia da extremidade nordeste da ilha menor, a ocidental, até a parte
superior de sua vizinha, que, por sua vez, ligava-se à terra firme continental ao sul
por uma passagem de terra calcária. Ao final da era glacial, entretanto, quando as
águas do Ártico derretido inundaram o mundo, elas cobriram o passadiço de pedra
e depois destruíram a ponte calcária, criando, dessa forma, duas ilhas no mar.
As separações eram muito estreitas. O passadiço alagado que ia da ilha
ocidental, que um dia se chamaria Irlanda, para o promontório da Britânia
conhecido como o Mull of Kintyre ficava apenas cerca de quinze quilômetros
defronte; o intervalo entre os brancos rochedos do sudeste da Inglaterra e o
continente europeu tinha apenas uns trinta.
Podia-se esperar, portanto, que as duas ilhas fossem bastante parecidas. E
de certo modo eram. Mas havia diferenças sutis, pois quando as águas das
enchentes as separaram, elas estavam, até então, apenas se aquecendo lentamente
da condição ártica. Plantas e animais ainda retornavam para elas vindos do sul mais
quente E quando o passadiço de pedra foi inundado, aparentemente algumas
espécies que haviam chegado aparte sul da ilha mais larga, mais oriental, não
tiveram tempo de atravessar para a ocidental. Desse modo, enquanto o carvalho, a
aveleira e o freixo eram abundantes em ambas as ilhas, o visco que crescia nos
carvalhos britânicos não encontrou seu caminho para as árvores irlandesas. E, pelo
mesmo motivo — uma bênção singular —, enquanto a Britânia se via infestada por
cobras, inclusive a venenosa víbora, nunca houve cobras na Irlanda.
A ilha ocidental sobre a qual o sol estava para nascer era em sua maior parte
coberta por uma densa floresta entremeada com áreas de pântano. Aqui e ali,
erguiam-se belas cadeias de montanhas. A terra tinha muitos rios ricos em salmão e
outros peixes; e o maior deles corria para o Atlântico no oeste após serpentear por
uma complexa sucessão de lagos e canais através do interior central da ilha. Mas,
para aqueles que primeiro chegaram ali, duas outras características da paisagem
natural seriam notadas em particular.
A primeira era mineral. Aqui e ali, em clareiras na densa floresta ou sobre as
encostas a céu aberto das montanhas, surgiam afloramentos de rocha, forçados
acima das entranhas da terra, os quais continham um mágico lampejo de quartzo. E
em algumas dessas rochas brilhantes havia profundos veios de ouro. Como
resultado, em várias partes da ilha onde se encontravam esses afloramentos, os rios
A segunda era universal. Seja por causa da umidade do vento soprando do
Atlântico, ou da leve tepidez da corrente do golfo, ou do modo como a luz incidia
naquela latitude, ou alguma convergência destes ou de outros fatores, havia na
vegetação da ilha um extraordinário verde-esmeralda que não era encontrado em
nenhum outro lugar. E talvez tenha sido essa extraordinária combinação de verde-
esmeralda e fluidez dourada que deu à ilha ocidental sua fama como um local onde
habitam os espíritos mágicos.
E que homens habitavam a ilha esmeralda? Antes das tribos celtas de época
posterior, os nomes das pessoas que haviam chegado ali pertencem apenas à lenda:
os descendentes de Cessair, Partholon, Nemed; os Fir Bolg e os Tuatha De
Danaan. Mas se esses eram nomes de gente de verdade ou de seus antigos deuses,
ou ambos, é difícil dizer. Houve caçadores na Irlanda, depois da era glacial. Em
seguida, agricultores. Isso é certo. Sem dúvida, para ali acorreu gente de vários
lugares. E como em outras partes da Europa, os habitantes da ilha sabiam construir
com pedra, fazer armas de bronze e fabricar bela cerâmica. Negociavam também
com mercadores que vinham de lugares distantes como a Grécia.
Acima de tudo, faziam ornamentos com o abundante ouro da ilha. Colares,
braceletes de ouro trançado, brincos, discos de sol de ouro forjado — os ourives
irlandeses superavam a maioria dos demais da Europa. Podiam ser chamados de
artesãos mágicos.
A qualquer momento o sol apareceria no horizonte, incendiando seu
extenso e dourado caminho através do mar.
Em um ponto aproximadamente a meio caminho além da costa oriental
repousava uma larga e agradável baía entre dois promontórios. Do promontório do
sul, a vista da costa era a de uma cadeia de montanhas, incluindo duas pequenas
montanhas vulcânicas que se erguiam do mar com tanta elegância que um visitante
poderia se imaginar transportado para o clima mais quente do sul da Itália. Acima
do outro promontório, uma vasta planície se estendia para o norte em direção às
montanhas mais distantes abaixo do desaparecido passadiço para a segunda ilha.
No meio da baía se espalhavam os vastos charcos e areias do estuário de um rio.
Então o sol rompia no horizonte, enviando um clarão dourado, escaldante
através do mar. E quando os raios do sol se arremessavam sobre o promontório
setentrional da baía e atravessavam a planície adiante, encontravam um clarão
reluzente, como se, sobre o solo, repousasse um grande refletor cósmico. O clarão
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